amc3
‘Se você acha que investir em educação custa caro, experimente o custo da ignorância’

 

A frase acima dita pelo ex-reitor da Universidade de Harvard Derek Brok, poderia ser a síntese daquilo que tem sido o governo Bolsonaro no campo da educação. O governo olha para a educação e a trata como um gasto no orçamento da União, tendo como testa de ferro um ministro da educação oriundo do mercado financeiro. Na verdade, o ministro cumpre bem o seu papel de agente do sistema financeiro ao oferecer uma educação frágil, sem investimentos e sem função emancipadora, servindo, justamente, aos interesses do “mercado”.

Levantamento da Folha de São Paulo, relativo ao 1° semestre de 2019, divulgado nesta semana, aponta para uma redução gigantesca nos recursos da educação básica, atingindo inúmeros programas educacionais que contavam com os repasses federais para sua manutenção. Sim, brasileiros e brasileiras, cortes na EDUCAÇÃO BÁSICA.

Após o forte impacto dos cortes orçamentários que atingiram o ensino superior, levando milhares de jovens e professores às ruas para protestar contra a medida, os dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, demonstram a total incapacidade (e/ou vontade) deste governo tratar a educação como investimento e não como gasto. Educação em tempo integral, construção de creches, alfabetização e ensino técnico estão sendo atingidos diretamente pelas medidas do (des)governo.

Num país que luta há décadas pela alfabetização (segundo dados recentes o Brasil ainda tem 11,3 milhões de analfabetos), num país em que a educação em tempo integral segue sendo um sonho e onde o ensino técnico pode significar uma vaga no mercado de trabalho com maior dignidade, o governo federal resolve tratar a educação como despesa reduzindo drasticamente investimentos vitais.

Com maior dor ainda, vemos que os cortes atingem fortemente a construção de creches, primeiro espaço de contato das crianças com a educação formal. Espaço este, a educação infantil, que representa, também, a possibilidade de mães (que muitas vezes assumem sozinhas a chefia do lar) poderem trabalhar com tranquilidade pois seus filhos estarão em escolas com educadores e educadoras habilitados a atuarem neste nível de ensino. Além disto, a gestão de Bolsonaro dá uma demonstração cabal de que desconhece a realidade dos municípios brasileiros cujas prefeituras não possuem recursos suficientes para dar conta desta demanda, mas que recebem diariamente inúmeras ações judiciais de famílias que, com razão, buscam a garantia de vagas em creches.

Seis meses se passaram e o rumo do governo segue o mesmo: uma cortina de fumaça ideológica sustentada pelos ataques a Paulo Freire (referência mundial na área da educação) e pelo combate à inexistente “ideologia de gênero”. Enquanto isto, nossa educação sangra pelos tapetes de Brasília, condenando muitos pequenos brasileiros e brasileiras a um futuro difícil simplesmente por terem nascido num país onde o patriotismo do seu governo serve somente ao interesse do estrangeiro.

É, Derek, nós estamos aprendendo o custo da ignorância. E ele é alto.

Anabel Lorenzi

Professora Municipal/Gravataí

                                                                                                               Presidente Municipal do PDT - Gravataí