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Política

Bolsonaro quer criar seu próprio partido político

Veja quem são os principais personagens envolvidos

14/11/2019 11h54
Por: Moises Pacheco

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na última terça-feira (12) que deixará o PSL e criará um novo partido, o Aliança Pelo Brasil. O anúncio foi feito um mês após ter se tornado público o atrito entre Bolsonaro e o presidente do PSL, Luciano Bivar. O conflito desencadeou uma crise, dividindo as alas que apoiam Bivar e o presidente da República.

O processo para criar um partido, porém, não é simples e, geralmente, leva tempo. É preciso atender a uma série de exigências, entre as quais obter um número mínimo de assinaturas de apoio em todos os estados. No caso da Aliança, há ainda outras complicações, como a manutenção do mandato dos deputados federais que decidirem deixar o PSL.

Os parlamentares não podem simplesmente sair do PSL. Isso porque a legenda poderia argumentar infidelidade partidária, e os deputados ficariam sem o mandato. A migração para uma nova legenda, contudo, evitaria essa punição. O objetivo de Bolsonaro e dos aliados é ter o partido apto a disputar as eleições municipais, em outubro de 2020, mas, para isso, a legenda precisa ser criada até abril do ano que vem (seis meses antes das eleições). Por essa razão, os apoiadores de Bolsonaro querem conseguir autorização na Justiça Eleitoral para coletar as assinaturas necessárias por meio eletrônico. Hoje, a legislação não prevê essa possibilidade.

Veja quem são os principais personagens envolvidos na criação do novo partido:

1 - Jair Bolsonaro

O presidente está insatisfeito com o espaço que seus aliados ocupam na cúpula do PSL. Outro motivo é tentar se distanciar do caso das candidaturas laranjas que pesa contra o presidente da sigla, Luciano Bivar, e o ministro Marcelo Álvaro Antônio.

2 - Eduardo Bolsonaro

Líder do PSL na Câmara, chegou ao posto após queda de braço com a ala do partido próxima a Bivar. Em contrapartida, foi destituído do comando da sigla em São Paulo. É desafeto da antiga líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann.

3 - Flávio Bolsonaro

Por ter sido eleito senador, em eleição majoritária, se desfiliou do PSL sem risco de perder o mandato. Após a briga com Bivar, foi destituído do comando do partido no Rio de Janeiro. É cotado para presidir o novo Aliança pelo Brasil.

4 - Carla Zambelli

Integrante da tropa de choque de Jair Bolsonaro na Câmara,é vista como figura-chave em São Paulo. Ela está envolvida diretamente na criação do estatuto da nova legenda e é uma das parlamentares bolsonaristas mais atuantes nas redes sociais.

5 - Bia Kicis

A deputada federal também integra a tropa de choque do presidente da República no plenário da Câmara. Procuradora aposentada do Distrito Federal foi eleita pelo PRP, mas migrou para o PSL logo no início do mandato, a convite de Jair Bolsonaro.

6 - Major Vitor Hugo

Líder do governo na Câmara, é criticado por colegas, que alegam falta de habilidade para atuar na articulação do Planalto com o Legislativo. É visto como aliado confiável do presidente da República.

7 - Bibo Nunes

Antes mesmo da disputa interna pelo comando do PSL vir à tona, o parlamentar gaúcho já indicava a busca por novo partido. Ele disputa a dianteira do projeto de criação da Aliança pelo Brasil com Bia Kicis e Filipe Barros.

8 - Caroline De Toni

A deputada catarinense é forte defensora de uma agenda conservadora no Congresso. O reconhecimento veio com o posto de relatora da proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê prisão após condenação judicial em segunda instância.

9 - Karina Kufa

Advogada contratada para a campanha de Jair Bolsonaro, é tida como pivô da queda de braço dentro do PSL. O presidente da sigla, Luciano Bivar, se incomodou com pedidos de informações assinados por ela, que nega a situação.

10 - Admar Gonzaga

Ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi contratado para liderar, ao lado de Karina Kufa, o processo de criação e migração para o novo partido. Antes, trabalhou no projeto de compliance interno do PSL.

 

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